Depois de ler as 32 páginas que tentaram justificar a prisão de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, não precisaria eu ter estudado a faculdade de Direito pra constatar que seria melhor que aquelas palavras não fossem escritas, e o feito não se concretizasse. Mas, antes de adentrarmos ao tema, gostaria de saudar sua presença, aqui, e certificar você de que pra mim é uma honra ter seu precioso tempo dedicado a mim. Agora, sim, vamos ao papo! Só o motivo da prisão, por si só, que foi noticiado por aí, já soou estranho, afinal, tratava-se de um suposto vazamento de mensagem sobre uma operação da PF, e qualquer um que leu isso franziu a sobrancelha, pois é. A partir daí foi um show de horrores, as palavras do ministro Alexandre de Moraes, a forma como noticiavam o feito, enfim, uma arquitetura midiática cheia de imbróglios. E por falar em ministro, esse é um dos que tem gozado cada vez de menos prestígio com a população brasileira, dados os seus atropelos à lei e seus flertes com o crime.
Esse escritor que voz fala não tem a pretensão de dizer que existem santinhos na política, mas não sejamos ingênuos em não entender o jogo. Rodrigo é um simples advogado que saiu do interior do Rio e feriu interesses de grupos políticos fortíssimos e antigos, se tornou presidente da Casa Legislativa pulando na frente de figurões e caciques que sonhavam com isso há anos, grupos esses que inevitavelmente formaram um esquadrão contra ele, diga-se, o pessoal dos Reis, o grupo de Eduardo Cunha, sem contar o tal do “fogo amigo”, que são os próprios membros do governo estadual sem falar no recalcado do Garotinho, que não aceita que ninguém brilhe mais que ele no estado e depois de colecionar prisões passou a ser denunciante (rs), só no Brasil pra se validar uma piada dessa.
A justificativa da prisão de Rodrigo e as ações que desencadearam essa ação não se sustentam juridicamente, isso está mais para um plano orquestrado de desarticulação política do que qualquer outra coisa, e os atos que se seguem depois disso tratam de justificar ainda mais o que estou dizendo, percebam. Repito, não estou tratando de canonizar ninguém, não creio que nem eu, nem você que me lê e nem ninguém merecem esse posto, mas precisamos entender quando ações, ainda que com certo ar de moralismo, não tenham a mínima moral, sobretudo vindo de Moraes. Há uma perseguição política em curso e uma caça às bruxas contra determinados grupos políticos no país e isso está evidente pra quem quiser enxergar. E isso não é bom pra ninguém, nem mesmo para os opositores, que amanhã podem ter os canhões da injustiça mirados pra si e serão vítimas do que hoje estão fazendo com os outros. Afinal dizem que a justiça tarda mas não falha. Será?
