Apresentado pelo governo Lula (PT) em outubro e aprovado, numa versão apresentada pela oposição, na Câmara dos Deputados em novembro, o projeto de lei de combate a facções criminosas ganhou, na quarta-feira (3), uma nova cara no Senado.
Esse novo texto, apresentado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-ES), muda diversos pontos da versão aprovada pela Câmara, feita pelo deputado Guilherme Derrite (PL-SP). As alterações abordam, entre outros pontos:
- A definição do que é facção criminosa.
- O tamanho das penas.
- Como os envolvidos são julgados.
- Financiamento da segurança pública.
- Direto a voto (para qualquer preso) e a auxílio-reclusão (para envolvidos com facções ou milícias).
O projeto foi enviado ao Senado, depois da aprovação do texto na Câmara dos Deputados em novembro, na forma de um substitutivo do deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP).
“O texto do Senado retoma pontos importantes do texto original do Executivo e mantém partes do substitutivo da Câmara. Por exemplo, havia uma desproporção na questão das penas e o parecer de Vieira foi um meio-termo adequado para votação”, analisa Rodrigo Ghiringheli, associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Veja, abaixo, as principais diferenças entre os dois textos.
‘Organização criminosa ultraviolenta’ x ‘facção criminosa’
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O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), em formatura de PMs nesta terça-feira (10), no Autódromo de Interlagos. — Foto: Pablo Jacob/Secom/GESP
A versão aprovada pela Câmara propõe o conceito de organização criminosa ultraviolenta.
A versão em discussão no Senado abandona essa ideia, e retoma o conceito de facção criminosa, que havia sido proposto inicialmente pelo governo Lula (PT).
Segundo o relator, a ideia de ultraviolenta pode impedir o enquadramento de organizações criminosas que usam outras estratégias que não a violência física.
“Por exemplo, o crime digital hoje ocupa um aspecto importante na arrecadação dessas facções. Da mesma forma, a infiltração no Poder Público. O que a gente faz, na verdade, é mostrar que o combate a crime organizado exige o combate no andar de cima. Se a gente ficar focado apenas no pobre, na comunidade, a gente não está combatendo crime organizado, a gente está enxugando gelo”, afirmou Vieira à GloboNews.

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